Para onde a sociedade brasileira está indo? Hoje, vim compartilhar esse questionamento, pois estou realmente incomodado com uma conjuntura caótica de influências desconexas que, a cada dia, deixa o país mais tolerante, sem caráter e promíscuo. Estamos sendo bombardeados por vários tipos de influências culturais que estão deturpando nossos valores.
BEBER, CAIR E LEVANTAR... - Primeiro aspecto que gostaria de ressaltar é sobre as letras de forró. Uma das melhores influências culturais que poderíamos ter em nossa região está repleta de rimas toscas. A mediocridade das autorias só desvalorizam a mulher, enaltecem o alcoolismo, evidenciam a sexualidade, em que a moda é ser promíscuo. Paulatina e discretamente, existe uma motivação à poligamia, em que o foco é, cada vez mais, consumir mulheres. Será que isso valoriza as verdadeiras razões para se construir relacionamentos?
CULTURALMENTE EQUIVOCADA – embora exista a máxima que diz “a arte imita a vida...” os realities shows e as novelas brasileiras têm insistentemente valorizado o sexo de maneira extrema. Não se sabe o limite entre o que é para menores ou maiores assistirem. Nossos filhos estão mais expostos e inocentemente sendo introduzidos em um mundo desnecessário. Não sou contra o homossexualismo, mas também não faço apologia. Assim, como não saio na rua dizendo ou gritando que sou hétero. Será que as novelas precisam exibir cenas que valorizem tais comportamentos? Do outro lado, a vulgaridade toma conta do BBB. Afinal, o que ancora a audiência são as festinhas decoradas pela libido e insensatez de um grupo que tenta transar e se extinguir entre si mesmos. Que tipo de conseqüência essa mídia pode nos trazer? Já não basta os comerciais de cerveja?
JORNALISMO BARATO – enquanto o corpo é vulgarizado nas televisões da vida, um tipo de jornalismo apelativo entra no ar em vários horários do dia. Seja através do rádio, jornal ou da própria TV. Cada dia, vemos um jornalismo que valoriza a violência denunciando “ladrões de galinha”, mostrando cenas em celas de prisão, assassinatos, entre outras desgraças. Em alguns programas, o uso de linguagem chula é a tônica para atrair a atenção e comunicação com os mais baixos níveis culturais da audiência. No entanto, isso tem um reflexo triste: nivela por baixo a comunicação e cria um péssimo hábito de consumo midiático. É assim que vamos construir uma sociedade mais culta?
EXCLUSÃO SOCIAL – um dos maiores paradoxos que estamos vivendo é a ilusão de acesso a consumo em nosso país. Embora se tenha a oportunidade de comprar um carro ou uma casa, isso não quer dizer que o “ex-pobre” esteja incluído socialmente. O fato de ter uma TV nova na sala, não significa que nossa sociedade tenha acesso à saúde, educação, segurança. Essa tríade está totalmente esfacelada no Brasil. Pessoas, morrem nos corredores dos hospitais públicos. Pessoas morrem por assalto. Pessoas morrem por ignorância. Esse é o país do futuro?
Esse coquetel de mídia através da música, televisão, rádio, jornal, internet...cria um turbilhão de influências que não temos a capacidade de mensurar as reais conseqüências. É bom pararmos para pensar um pouco. Ou se preferir, parar tudo isso um pouco para pensar. Como dizia Renato Russo: “que país é esse?”
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
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