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domingo, 9 de outubro de 2011

Desafios Logísticos – Parte IV – Os projetos necessários

Quais os projetos de infra-estrutura e logística que a Paraíba precisaria desenvolver e executar independente da proposta política vigente? Seja neste ou em qualquer governo no futuro, o que precisaríamos ter como foco contínuo para assegurar o desenvolvimento econômico e social? E qual a conduta política que parlamentares e gestores deverão ter para que os interesses essenciais do desenvolvimento não fiquem em segundo plano?


Embora os questionamentos sejam óbvios, paradoxalmente, a Paraíba foi vítima do continuísmo da descontinuidade. Com isso, a principal conseqüência foi um mercado fragilizado em que os ciclos econômicos não tiveram continuidade ou não deram sinergia a outros empreendimentos complementares. Um bom exemplo disso é o ciclo do algodão. A Paraíba já foi referência na produção de algodão. Embora esse ciclo tenha gerado impostos, empregos e riquezas, não houve uma contrapartida do Estado para reinvestir os recursos desse surto econômico em infra-estrutura e logística. Embora se diga que o algodão tenha acabado por causa da praga do bicudo, os recursos gerados não foram reinvestidos para promover outros empreendimentos. Se o


Estado tivesse investido em melhores estradas, ferrovias, portos e aeroportos para estimular outras culturas exportadoras a situação seria diferente. Mesmo que a cultura do algodão se tornasse deficitária, o Estado teria como atrair e desenvolver outras atividades econômicas que mantivessem a sustentabilidade econômica.
Nesse sentido, vemos a ascensão da indústria do cimento, da extração mineral em pontos específicos e da produção de cana-de-açucar (e respectivos subprodutos), entre outras atividades estratégicas. Como poderíamos segmentar essa arrecadação e reinvestir na infra-estrutura e logística para incrementar esses setores, assegurando a continuidade, tentando atrair mais competidores e disponibilizando a Paraíba para empreendimentos cada vez maiores?


Não existe Estado forte, com uma economia fraca. Não existe uma economia forte com uma infra-estrutura logística fraca. Embora se defenda em alguns segmentos políticos que a prioridade seria obras sociais, como as bolsas “alguma-coisa”, não acredito que a distribuição de renda se faça de maneira sustentável dessa forma. Na minha opinião, caro leitor, duas ações deverão ser prioridade e ter continuidade para dar sustentabilidade ao crescimento econômico:
1) Investimento em educação técnica;
2) Investimentos em infra-estrutura e logística nos modais ferroviário, rodoviário, aerportuário e marítimo.
Se tivermos uma sociedade formada tecnicamente, falando fluentemente pelo menos dois idiomas (inglês e espanhol) poderemos interagir com o mundo globalizado que nos cerca. Nenhuma escola na Paraíba atualmente (seja pública ou privada) prepara seus alunos coordenando o ensino profissionalizante, associado a uma preparação de línguas estrangeiras. O ensino é frágil perante as necessidades urgentes de mercado.


Se associarmos a formação técnica a investimentos contínuos em estradas, ferrovias, portos e aeroportos, teremos como manter e atrair investimentos, gerando ciclos econômicos contínuos.


Pode ter certeza que geração de emprego e renda advinda desses dois fatores irão gerar revoluções sociais em inúmeras outras áreas. Isso é crescer de forma sustentável: uma sociedade forte intelectualmente e uma infra-estrutura que garanta o empreendedorismo e, consequentemente, a empregabilidade.

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