Fundado em 1935, o Porto de Cabedelo acompanha silenciosamente o desenvolvimento da Paraíba. Desde sua concepção, mitos e verdades acompanham essa ferramenta de apoio à economia do Estado. E é preciso esclarecer as vocações, as potencialidades, as limitações e a importância do porto do litoral ao sertão.
Embora tenha sido concebido ainda no final do Segundo Reinado, o Porto de Cabedelo serviu e serve de maneira estratégica à logística paraibana e aos Estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Vale ressaltar que, na década de 60, a média de embarcações chegava a 288 por ano. Ou seja, quase que um navio por dia atracava no cais cabedelense. Era uma época de pujança econômica para os operadores portuários, e o volume de carga nas décadas 70, 80 e até início dos anos 90 era considerável.
Com isso, caro leitor, é importante que se entenda que havia carga, movimentação e capital de giro que exigia maiores investimentos naqueles tempos. Contrariamente, em 1991, o Governo de Fernando Collor de Melo extinguiu a Portobrás, estatal que administrava os portos públicos brasileiros, e o Porto de Cabedelo passou a ser administrado pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte entre 1991 e 1998.
Naquele período, a Cia. Docas do Rio Grande do Norte solicitou a transferência dos embarques de frutas que eram realizados em Cabedelo, com o intuito de fazer uns testes no Porto de Natal. Esses testes se tornariam operações definitivas e, a Paraíba ficou a ver navios. Uma das ironias que acompanham essa história é que o calado do Porto de Natal na época tinha cerca de 7metros Ou seja era aproximadamente dois metros menor que o Porto de Cabedelo. E mesmo assim, as cargas saíram daqui.
Para o caro leitor ter uma noção, a obra de dragagem, que está sendo realizada atualmente em Cabedelo e ampliando o calado de 9,14 metros para onze metros, está custando aos cofres do Governo Federal, através (por meio)da Secretaria de Portos, cerca de R$ 47 milhões. Ou seja, isso pode ser levado como parâmetro que, na década de 90, o Porto de Cabedelo era mais competitivo do que o Porto de Natal em mais de R$ 45 milhões. No entanto, não houve defesa política do porto paraibano. E quando a Companhia Docas da Paraíba foi criada em 1998, passou a figurar como apenas um posto político a ser ocupado. Nunca houve obras estruturantes desde a criação dessa empresa de economia mista, nem análise operacional para medir eficiência.
O governador Ricardo Coutinho aparece no cenário portuário paraibano como o primeiro governante local a entregar projetos de manutenção e de expansão do Porto de Cabedelo. Ricardo, mais uma vez, contraria a lógica cultural, pois um governador, que vem das bases trabalhadoras, surge para resgatar o projeto logístico do Estado, depois de 76 anos de existência do porto. Em 70 dias de governo, Ricardo já havia protocolado os projetos junto à Secretaria de Portos, em Brasília.
No entanto, para surpresa de todos os cidadãos paraibanos, os rumores de paralisação das obras de dragagem contrariam a expectativa de todos os segmentos. O compromisso político entre o governador Ricardo Coutinho, o ministro dos Portos, senhor Leônidas Cristino, e a presidenta Dilma Russef nos dá uma segurança cordial nesse instante. Afinal, o Governo Federal confirma que vai concluir as obras.
Politicamente, já está havendo o empenho de vários segmentos em defesa do Porto de Cabedelo, mas é preciso que se deixe claro que a Paraíba deverá ficar vigilante. Peço a todos união para preservar e ampliar uma das principais ferramentas logísticas para trazer desenvolvimento sustentável e fortalecimento da economia nos quatro cantos do Estado.
*Wilbur H. Jácome é jornalista, mestre em Marketing, especialista em vendas, professor universitário e atual presidente da Companhia Docas da Paraíba.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
DESAFIOS LOGÍSTICOS DO PORTO DE CABEDELO - PARTE I
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